Canoa havaiana ganha espaço na Lagoa Guaraíras e muda o jeito de ver o pôr do sol em Pipa

Canoa havaiana na Lagoa Guaraíras, em Pipa, no embalo do Mana Fest 2026: saída às 16h, até 14 pessoas, sem precisar ser atleta.

Escrito por Equipe Pipa Local Trips, agência de ecoturismo na Praia da Pipa8 min de leitura

Grupo sorrindo a bordo de uma canoa havaiana em canal de manguezal da Lagoa Guaraíras, em Tibau do Sul (RN)
Seis pessoas, uma canoa e o mangue da Guaraíras dos dois lados. Crédito: Pipa Ohana Va'a canoa havaiana

O fim de tarde mais fotografado de Tibau do Sul quase sempre chega com barulho de motor. Num barco de 14 lugares movido a braço, ele chega de outro jeito, e quem rema descobre que não precisava ser atleta para estar ali. Existe uma cena que se repete todo fim de tarde na Lagoa Guaraíras. Dezenas de pessoas param o que estão fazendo, levantam o celular e esperam o sol encostar na água. É, por consenso de quem passa por Pipa, um dos pores do sol mais bonitos do litoral potiguar.

E quase sempre ele tem trilha sonora: o ronco de um motor, uma caixa de som, o vai e vem de lanchas e escunas disputando o melhor ângulo. Quem procura no Google por “pôr do sol na Lagoa Guaraíras” encontra praticamente uma resposta só: passeio de lancha.

Não há nada de errado nisso. Mas existe uma pergunta que pouca gente faz antes de embarcar. Se o espetáculo é o mesmo, o jeito de chegar até ele muda o que a gente vê?

Na Guaraíras, a resposta mais interessante tem sido dada por um barco estreito, comprido, com um flutuador do lado e catorze remos batendo na água ao mesmo tempo. E em dezembro esse barco ganha palco: a canoa havaiana é uma das modalidades do Mana Fest Pipa 2026, que leva dez dias de esporte no mar a Tibau do Sul.

Uma lagoa que não foi feita para ser atravessada com pressa

A Guaraíras é chamada de lagoa, mas funciona como estuário. É ali que a água salgada do mar entra e se mistura com a dos rios, num ambiente de águas salobras cercado de manguezal, entre Tibau do Sul e Georgino Avelino. O mangue é berçário de peixes, caranguejos e mariscos, e é também o sustento de pescadores e marisqueiras que trabalham nessa água há gerações.

No fim do dia, a lagoa muda de ritmo. A maré mexe nos bancos de areia, as aves procuram onde pousar, o vento costuma diminuir e a superfície fica lisa o bastante para espelhar o céu. É uma paisagem que se revela melhor para quem chega devagar.

Talvez por isso a forma mais comum de visitar a Guaraíras pareça, às vezes, uma conversa de volume alto num lugar que pede voz baixa. A questão não é proibir ou condenar o passeio motorizado. É perceber que o mesmo lugar comporta outra experiência, e que essa outra experiência tem cada vez mais gente interessada.

Canoa havaiana amarela e branca com quatro remadores em águas verdes da Lagoa Guaraíras, cercada de manguezal

A va'a e o seu ama, o flutuador lateral que dá estabilidade ao casco, nas águas calmas da Guaraíras. Crédito: Pipa Ohana Va'a canoa havaiana

O barco em que ninguém rema sozinho

A canoa havaiana, ou va’a, nasceu na Polinésia como meio de transporte entre ilhas. O desenho é simples e engenhoso: um casco longo e estreito ligado a um flutuador lateral, o ama, por braços de madeira. É esse flutuador que dá estabilidade à canoa, e é ele que desmonta a primeira objeção de quem nunca remou: a va’a não é um caiaque individual que vira no primeiro desequilíbrio.

A segunda objeção cai logo depois. Numa canoa de vários lugares, o esforço é dividido. Cada pessoa tem o seu remo, mas o barco anda pelo ritmo do grupo, puxado pela pessoa que vai na frente e conduzido por quem vai atrás. Ninguém precisa ter preparo de atleta. Precisa, no máximo, aceitar remar no mesmo tempo que o vizinho.

Na cultura havaiana, existe uma palavra para esse tipo de laço: ohana, família, no sentido de quem está junto e não fica para trás. Não é por acaso que ela aparece no nome de canoas e equipes de remo pelo mundo. Na prática, a canoa havaiana é um esporte coletivo antes de ser um passeio.

A canoa havaiana deixou de ser novidade em Pipa

A va’a chegou de forma organizada a Pipa no fim de 2020 e se espalhou pela vila a partir de 2021, segundo registro do portal Pipa.com.br. Em poucos anos, passou a fazer parte da paisagem: canoas na areia ao amanhecer, grupos remando no mar entre as falésias, moradores treinando na lagoa depois do expediente.

O crescimento aparece também no calendário esportivo da cidade, e dezembro deixa isso mais evidente do que nunca.

Mana Fest Pipa 2026: a canoa havaiana no centro do verão

De 4 a 13 de dezembro de 2026, Tibau do Sul recebe a 5ª edição do Mana Fest Pipa, festival de esportes no mar que abre a temporada de verão. São dez dias e seis modalidades: canoa havaiana (OC), surf longboard, natação em águas abertas, salvamento aquático, vôlei e beach tennis. As atividades se espalham pela Praia do Madeiro, pela Praia do Centro e pela Lagoa Guaraíras, segundo o AgoraRN.

Entre as convidadas está a navegadora Tamara Klink, que conduz cursos de navegação, ao lado da instrutora Luiza Perin, com atividades de bem-estar. A organização informa que a programação é aberta a atletas e também a iniciantes, com vagas limitadas por atividade e desconto de 5% nas inscrições feitas até 31 de outubro.

O festival também atravessou a fronteira. Em 29 de setembro, foi apresentado a agentes e operadores argentinos na FIT, feira internacional de turismo de Buenos Aires, no estande do Rio Grande do Norte, com apoio do Governo do Estado, da Prefeitura de Tibau do Sul e da Embratur, de acordo com o MisionesOnline.

Para a Guaraíras, isso significa uma lagoa mais movimentada e mais remos na água em dezembro. Para quem vem a Pipa nessa época, o festival costuma despertar uma curiosidade natural: como é estar dentro de uma dessas canoas? A remada no pôr do sol é uma forma tranquila de responder a essa pergunta, antes, durante ou depois dos dias de competição, sem precisar de inscrição nem de preparo de atleta.

Quatro remadores empurram uma canoa havaiana da areia para o mar em Pipa, com falésia e sol ao fundo

Antes de virar passeio, a canoa havaiana virou rotina de quem mora em Pipa. Crédito: Pipa Ohana Va'a canoa havaiana

Como é o fim de tarde a remo

A saída é às 16h, quando o calor já perdeu força e a luz começa a ficar dourada. Antes de entrar na água, o grupo recebe uma orientação rápida: como segurar o remo, onde sentar, como acompanhar a cadência. Em poucos minutos, catorze desconhecidos começam a remar como se tivessem combinado.

Os primeiros minutos são de concentração. Depois, o corpo encontra o ritmo e a cabeça fica livre para olhar em volta. As raízes do mangue passam rente à canoa. Uma garça levanta voo de um galho. Alguém comenta que dá para ouvir o remo entrando na água, e só então o grupo percebe que esse é o único barulho ali.

Quando o sol começa a descer, a canoa para. Os remos ficam atravessados sobre as pernas, a água devolve a cor do céu e ninguém precisa disputar lugar na amurada para ver nada. O pôr do sol continua sendo o mesmo que as lanchas vão buscar. A diferença está no caminho até ele: chegar com o próprio braço, junto de outras pessoas, faz o momento parecer conquistado, e não apenas assistido.

A volta acontece com a luz baixa, no mesmo ritmo, e costuma ser mais silenciosa que a ida.

Vista de dentro da canoa havaiana: remadores em um canal estreito de manguezal com luz dourada de fim de tarde

Os canais de mangue da Guaraíras vistos de dentro da canoa, no fim da tarde. Crédito: Pipa Ohana Va'a canoa havaiana

O que isso significa para quem vive em Tibau do Sul

Para o morador, a Guaraíras não é cenário. É lugar de trabalho, de pesca, de mariscagem, de lazer de fim de semana. Cada nova forma de visitar a lagoa mexe com quem depende dela, e por isso vale olhar com atenção para o tipo de turismo que cresce ali.

Um passeio a remo não queima combustível, não produz ruído de motor e circula em grupos com número limitado de pessoas. Isso não resolve sozinho os desafios de um estuário cada vez mais visitado, mas aponta uma direção: um turismo que divide a água com a pesca em vez de competir com ela.

Há também um efeito econômico mais próximo de casa. A canoa havaiana em Pipa é tocada por gente da região, que treina, ensina e conduz as remadas. Quando o visitante escolhe uma experiência assim, uma parte maior do que ele gasta tende a circular entre quem vive aqui.

E existe um ganho difícil de medir. Quem conhece a lagoa no silêncio costuma criar com ela outro tipo de relação, de respeito e de curiosidade. É o tipo de visitante que volta, que recomenda, e que entende que está entrando na casa de alguém.

Canoa Havaiana no Pôr do Sol com a Pipa Local Trips

A Canoa Havaiana no Pôr do Sol na Lagoa Guaraíras é realizada em parceria com a Pipa Ohana Va’a canoa havaiana, escola de remo da região, e reservada pela Pipa Local Trips.

  • Saída: de Pipa, às 16h
  • Grupo: até 14 pessoas por canoa
  • Nível: não é preciso ser atleta nem ter experiência com remo
  • Valor: a partir de R$ 130 por pessoa
  • Equipamentos: colete salva-vidas e remo inclusos

Para quem quer passar mais tempo na lagoa, existe o roteiro EcoParque Guaraíras e Plantio de Árvores, em Georgino Avelino. O roteiro de dia inteiro sai de Pipa e percorre o entorno da Guaraíras até o mirante do Santo Antônio Achado, com travessias de canoa e plantio de mudas nativas. É um passeio de base comunitária conduzido por biólogos locais, a partir de R$ 240.

Quero ver as datas da canoa havaiana · Quero conhecer o EcoParque Guaraíras


Pesquisa e organização das informações realizadas com apoio de inteligência artificial. Texto escrito pela equipe Pipa Local Trips.

Perguntas frequentes

Onde fazer canoa havaiana em Pipa?

Em Pipa, a canoa havaiana acontece no mar, entre as praias da vila, e na Lagoa Guaraíras, em Tibau do Sul. Na lagoa, a Pipa Local Trips oferece a Canoa Havaiana no Pôr do Sol na Lagoa Guaraíras, com saída de Pipa às 16h.

Quanto custa o passeio de canoa havaiana em Pipa?

A Canoa Havaiana no Pôr do Sol, da Pipa Local Trips, custa a partir de R$ 130 por pessoa. Datas e valores atualizados ficam disponíveis pelo WhatsApp da Pipa Local Trips.

Precisa saber remar para fazer canoa havaiana?

Não. A canoa havaiana é coletiva e estável por causa do flutuador lateral, o ama, e o grupo rema no ritmo de todos. Não é preciso ser atleta. Os detalhes do passeio estão na ficha da canoa havaiana no pôr do sol.

Precisa saber nadar para andar de canoa havaiana?

Todos os participantes usam colete salva-vidas, incluído no equipamento, e a remada no pôr do sol acontece nas águas calmas da Lagoa Guaraíras. A ficha do passeio reúne o que está incluso.

Quando é o Mana Fest Pipa 2026?

O Mana Fest Pipa 2026 acontece de 4 a 13 de dezembro, em Tibau do Sul, com canoa havaiana, surf longboard, natação em águas abertas, salvamento aquático, vôlei e beach tennis. A programação está resumida na seção Mana Fest Pipa 2026 e no AgoraRN.

Tem canoa havaiana no Mana Fest Pipa?

Sim. A canoa havaiana (OC) é uma das seis modalidades do Mana Fest Pipa 2026, com atividades previstas na Lagoa Guaraíras. Para quem quer remar sem inscrição em competição, existe a canoa havaiana no pôr do sol da Pipa Local Trips.

Qual o melhor horário para ver o pôr do sol na Lagoa Guaraíras?

O sol se põe sobre a lagoa no fim da tarde. Por isso a canoa havaiana no pôr do sol sai de Pipa às 16h: dá tempo de remar até o meio da Guaraíras, parar para assistir e voltar com a luz baixa.

Qual a diferença entre o passeio de lancha e o de canoa havaiana na Lagoa Guaraíras?

A lancha leva o visitante até o pôr do sol com motor e mais rapidez. Na canoa havaiana, o grupo chega remando, em silêncio, com até 14 pessoas e mais perto do manguezal. A Pipa Local Trips trabalha apenas com a opção a remo.

Quais passeios ecológicos fazer na Lagoa Guaraíras?

Além da canoa havaiana no pôr do sol, existe o roteiro EcoParque Guaraíras e Plantio de Árvores, roteiro de dia inteiro e de base comunitária, com travessias de canoa e plantio de mudas nativas, conduzido por biólogos locais.

Onde fica a Lagoa Guaraíras?

A Lagoa Guaraíras fica no Rio Grande do Norte, entre Tibau do Sul e Georgino Avelino, perto da Praia da Pipa. É um estuário de águas salobras cercado de manguezal, onde acontece a canoa havaiana no pôr do sol.

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Fonte, Praia da PipaFonte · @fontedapipa

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